A famigerada sociedade
judaico-cristã ocidental está aos poucos abrindo seus olhos e cursando novos
rumos em direção a uma sociedade mais liberal. Vemos isso na legislação e na jurisprudência,
que evolui no sentido de reconhecer amplos e irrestritos direitos individuais. O
Estado precisa assumir tal postura, abrangendo a sociedade e seus interesses,
garantindo direitos individuais e assegurando a legitimidade de sua existência.
É inegável que isso surgirá
de uma postura secular do Estado, que precisa se afastar das organizações
religiosas para legitimamente representar toda a sociedade e não somente um
influente e organizado grupo conservador. Reconheço que o caminho é longo e
temos muito a conquistar, mas os recentes avanços devem ser reconhecidos como
vitória. O reconhecimento da união estável homo afetiva é um salto alcançado
pelo Brasil e que deve servir de exemplo pelas demais nações.
Mas como estamos vendo a
situação da homofobia em nossa sociedade? Alguns hipócritas pseudoliberais
dizem lidar naturalmente com a homossexualidade. Mas na maioria das vezes,
trata-se de uma tolerância condicional. Para que seja tolerável, o homossexual
não pode estar dentro de nossas famílias, não pode adotar um menor, não pode
ser professor das primeiras séries, não pode manifestar carinho ao parceiro em
público, além de outras condicionantes dotadas de um viés altamente
preconceituoso.
Evidência do fato é o
reboliço causado pela possibilidade da implantação da cartilha anti-homofóbica.
Sem entrar no mérito da qualidade didática do material, a população hipócrita,
mesmo sem conhecer seu material, já o repudiava.
Assim também, lidam com
crianças e adolescentes que apresentam trejeitos que julgamos
preconceituosamente como sendo homossexuais e imediatamente procura-se reverter
o fato com conversas, tratamentos psicológicos ou coerção. Não consegue
enxergar que a homossexualidade é perfeitamente natural e não se trata de
perversão ou desvio de conduta.
Quando na puberdade é despertada a afetividade
e sexualidade, é preciso despertar primeiro uma orientação heterossexual para
depois se tornar homossexual? Homossexualidade não é escolha, é condição do
indivíduo. E o que a nossa sociedade hipócrita precisa se dar conta, é que o
indivíduo se desperta antes da vida adulta, logo, a homossexualidade é despertada
antes da vida adulta.
Pense nisso. Pense!