Estamos às vésperas de uma das mais importantes celebrações
cristãs. A Semana Santa e a Páscoa têm valor fundamental na doutrina,
pois é o centro de sua fé: o que os cristãos consideram ser a morte a
ressurreição de Jesus.
As celebrações religiosas enquadram-se no direito à
liberdade religiosa assegurado pelo art. 5º da Constituição. Deve ser dessa
forma, respeitado como direito dos fiéis cristãos. Não quero aqui entrar no
mérito da celebração e questioná-lo, até porque não costumo descaracterizar as
diferentes crenças.
Acredito que já seja do conhecimento da maior parte daqueles que me conhecem que não sou religioso e, portanto, não celebro a Páscoa ou qualquer celebração religiosa.
O que gostaria de tratar é da Páscoa na escola pública. É perfeitamente
admissível que o tema seja tratado na escola, a fim de esclarecer e instruir os
estudantes sobre uma festa de dimensões globais. A origem judaica, cristã e
pagã da festa da Páscoa deve ser tema tratado na escola como tema de instrução
e de curiosidade. Além disso, os pequeninos têm contato com a beleza dos
elementos culturais que a festa envolve. É um evento que chama a atenção das
crianças e é uma oportunidade para conhecerem alguns dos
símbolos utilizados no
mundo todo.
O grande problema que vejo é que a Páscoa é tratada na escola
pública como doutrinação. Quando falam da Páscoa, tratam como se verdade fosse
sua crença. Ou seja, não explicam aos estudantes qual a origem da Páscoa e no
que acreditam cristãos ou judeus, mas tratam do tema como se os estudantes
precisassem aprender os ensinamentos cristãos. E isso é conduzido de forma
prosélita e altamente preconceituosa. Já vi várias vezes dramatizações,
palestras com pastores ou padres, apresentações diversas com tom de doutrinação,
como se estivéssemos em uma igreja. Já ouvi professores, pedagogos e diretores
fazendo verdadeiras pregações na escola. Na prática, estão subtraindo o direito
de liberdade religiosa dos alunos.
Os educadores precisam entender que não têm eles o direito
de doutrinar os estudantes e convencê-los de sua fé. É inadmissível que a
escola pública laica continue ignorando o direito de seus alunos de professar a
fé que quiserem ou de não professar fé nenhuma. Portanto, se formos falar em
Páscoa, não tratemos do assunto como profissão de fé, mas como instrução sobre
um fenômeno cultural e tão só.