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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A constatação mediante o método científico.

Vira e mexe, quando alguém quer respaldar uma argumentação, muitas vezes até de forma falaciosa, usa-se a premissa de que é cientificamente comprovado. Assim, é um axioma o fato de algo cientificamente comprovado ser dotado de credibilidade, e portanto, ser confiável.

Ora, é notável que desde a Revolução Científica, nossa espécie tem procurado solucionar seus mais diversos problemas a partir de uma análise racional da realidade. Assim, trouxe à humanidade, a capacidade e a oportunidade de analisar fatos, fenômenos e processos a partir da comparação e da experimentação, abandonando as justificativas míticas, essas conclusivas e irredutíveis.


sábado, 16 de junho de 2012

Sobre o servidor púbico

Estive refletindo sobre meu trabalho e sobre minhas funções e atribuições. Sou professor na rede pública municipal de Anchieta, portanto sou servidor. É possível que nem todos os servidores públicos tenham consciência da importância de seu trabalho; da seriedade da função pública que exerce.

Procuramos em grupos de discussão debater sobre a problemática do serviço público prestado à população e sua precariedade. Entre as discussões que fizemos recentemente diz respeito ao trabalho de certos vereadores que não se veem na obrigação de prestar conta de seu trabalho, como se fossem empresários ou profissionais liberais. Ora, ainda que fossem, devem satisfação diante do cumprimento da lei e de certos

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Como me tornei um ateu.

Eu me tornei ateu. Não o sou de nascimento. Assim como as pessoas religiosas se tornam, mas não nascem religiosas. Não é por acaso que podemos tão facilmente relacionar a religião do indivíduo à sua cultura, ao povo ou grupo social a que pertence.

Constantemente me perguntam por que me tornei ateu, já que conheço alguma coisa de Teologia e do Catecismo da Igreja Católica. Normalmente, creditam minhas convicções a uma suposta ignorância e não a conclusões tomadas diante de análises e fruto de um longo processo. Há aqueles que, ao tomarem ciência de meu histórico como vocacionado franciscano, perguntam-me o que eu houvera visto em minhas experiências que me fizeram repudiar minha fé. Outros julgam que sou cético por observar as atitudes de alguns religiosos que, no meu julgamento, não condizem com o discurso religioso. Particularmente, conheço pessoas que se tornaram ateus em função de fatos traumatizantes. Não é o meu caso, a origem do ateísmo se encontra no humanismo secular.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Média burocrática


Desde a década de 1990 o Brasil está vivendo um momento desafiador no tocante à educação.  Estamos universalizando o acesso a ela. Ela é considerada elemento fundamental para construção de uma sociedade justa, que garanta irrestritos direitos a seus cidadãos. Antes desse fenômeno, não se pensava em direito à educação na prática. Era de qualidade, mas para poucos privilegiados.  

Diante da necessidade de garantir o acesso estabelecido em lei, os governos municipais foram obrigados a criar mecanismos de gestão para atendimento em massa, como nunca antes visto. Como é de se esperar no serviço público nesse país, a prática dista, e muito, da letra da lei.

Estamos presenciando a gestão da educação por parte de burocratas incompetentes que desconhecem completamente a legislação e a literatura acerca da educação. Atualmente, os gestores se pautam em um

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O racionalismo em sala de aula

Um colega de profissão disse-me que todo professor leva para sala de aula suas influências religiosas a fim de persuadir seus alunos. Da mesma forma eu estaria rejeitando as formas de doutrinação a que estamos acostumados porque estaria pretendendo enfiá-los o ateísmo goela abaixo.

Ora, se assim fosse, estaria ensinando a eles que Deus definitivamente não existe, como eu pude concluir a partir de minha própria lógica, de minha dedução. Não ensino dessa forma, porque não cabe à escola deferir sobre a existência de divindades. Cabe a ela produzir e reproduzir conhecimento e contribuir para uma sociedade mais justa, valendo-se do respeito aos direitos inerentes à pessoa humana, da ética e da cidadania. Assim, não ensino existência e nem inexistência de Deus, mas procuro estimular debates racionais sobre o meio

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A tolerância e o respeito


Algumas atitudes de nossa sociedade são respeitáveis, embora em desacordo com meus princípios. Outras, porém, são insuportavelmente absurdas. São formas de preconceito velado, de opressão das minorias e uma hipocrisia que não se sustenta e não se justifica.

Ainda essa semana conversando com um colega, eu dizia não respeitar determinados grupos de pessoas, como os preconceituosos religiosos fundamentalistas intolerantes. Pode soar agressivo e imagino já ter encontrado a essas linhas, críticas e contestações. Já imagino que alguns firmam que eu tenho que respeitar a todos. Não, não tenho.

Não tenho respeito nenhum por preconceituosos, homofóbicos, hipócritas e pessoas de má-fé que agem inescrupulosamente a esfregar na cara da sociedade que seu restrito grupo está seguro no tocante à salvação e que todo o restante age abominadamente aos olhos de seu deus. Quando tratam a homossexualidade, como uma de suas aberrações bíblicas. Quando demonstram que não importa o quão humano possa ser, se não assumir especificamente sua profissão de fé, de nada vale.  Desprezam valiosas idéias fundamentadas na convivência social e no racionalismo, como ética, cidadania, direitos humanos e solidariedade em troca de sermões vazios e profundamente preconceituosos. Quando influenciam inocentes fiéis a abrir mão de seu valor de cidadão a fim de votarem em candidatos pertencentes ao seu restrito grupo religioso nos processos eleitorais. Quando se mostram indiferentes ao conhecimento científico acumulado, mostrando absoluto desrespeito por tudo o que a sociedade racional construiu em matéria de conhecimento em troca de seus alienados sermões.

Tenho sim, respeito por pessoas religiosas que valorizam antes a dignidade da pessoa humana, e se dedicam ao combate de toda forma de preconceito ou perseguição, mas de forma atuante e não omissa. Como tenho dito, entrei num estágio de tolerância ao convívio com pessoas altamente intolerantes, já que estes por seu turno, utilizam discursos definitivamente preconceituosos, excludentes e intolerantes. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A sociedade e os ranços de homofobia.


A famigerada sociedade judaico-cristã ocidental está aos poucos abrindo seus olhos e cursando novos rumos em direção a uma sociedade mais liberal. Vemos isso na legislação e na jurisprudência, que evolui no sentido de reconhecer amplos e irrestritos direitos individuais. O Estado precisa assumir tal postura, abrangendo a sociedade e seus interesses, garantindo direitos individuais e assegurando a legitimidade de sua existência. 

É inegável que isso surgirá de uma postura secular do Estado, que precisa se afastar das organizações religiosas para legitimamente representar toda a sociedade e não somente um influente e organizado grupo conservador. Reconheço que o caminho é longo e temos muito a conquistar, mas os recentes avanços devem ser reconhecidos como vitória. O reconhecimento da união estável homo afetiva é um salto alcançado pelo Brasil e que deve servir de exemplo pelas demais nações.

Mas como estamos vendo a situação da homofobia em nossa sociedade? Alguns hipócritas pseudoliberais dizem lidar naturalmente com a homossexualidade. Mas na maioria das vezes, trata-se de uma tolerância condicional. Para que seja tolerável, o homossexual não pode estar dentro de nossas famílias, não pode adotar um menor, não pode ser professor das primeiras séries, não pode manifestar carinho ao parceiro em público, além de outras condicionantes dotadas de um viés altamente preconceituoso.

Evidência do fato é o reboliço causado pela possibilidade da implantação da cartilha anti-homofóbica. Sem entrar no mérito da qualidade didática do material, a população hipócrita, mesmo sem conhecer seu material, já o repudiava.

Assim também, lidam com crianças e adolescentes que apresentam trejeitos que julgamos preconceituosamente como sendo homossexuais e imediatamente procura-se reverter o fato com conversas, tratamentos psicológicos ou coerção. Não consegue enxergar que a homossexualidade é perfeitamente natural e não se trata de perversão ou desvio de conduta. 

Quando na puberdade é despertada a afetividade e sexualidade, é preciso despertar primeiro uma orientação heterossexual para depois se tornar homossexual? Homossexualidade não é escolha, é condição do indivíduo. E o que a nossa sociedade hipócrita precisa se dar conta, é que o indivíduo se desperta antes da vida adulta, logo, a homossexualidade é despertada antes da vida adulta.

Pense nisso. Pense!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Liberdade de crença

Sendo humanista, tenho me preocupado em buscar a qualidade de vida das pessoas. Acredito que devamos procurar nos ajudar mutuamente a ponto de não haver mais ser humano que sofra. Em nome disso defendo a liberdade, a igualdade e a solidariedade com a pessoa humana.

O célebre Artigo 5º da Constituição Federal garante a liberdade de crença, entre muitos outros direitos ligados à liberdade e igualdade. Ainda que não fosse por força de lei, sou defensor que todos são livres e iguais e podem fazer da sua individualidade o que bem entenderem, desde que o façam em consonância com a Lei. Sou defensor da liberdade e igualdade por uma premissa lógica. Não é por força de lei ou por mandamento divino. É por acreditar que não há lógica nenhuma em diferenciar os seres humanos. É justo. Todos são livres e com iguais direitos. Sou defensor, portanto da liberdade de crença, de fé, de manifestações religiosas.

Mas até que ponto isso leva a um mínimo de qualidade de vida? Em discussão com outros céticos, tenho afirmado que a religiosidade não é um mal necessário. É desnecessário. A religião aprisiona as pessoas a um modelo alienado e inquestionável, privando-os do raciocínio lógico. Ora, desde o séc. XVIII, os princípios apregoados pelos iluministas evidenciam que a razão busca a verdade e a resolução das questões. Nenhuma metodologia que não se utilizar da razão pode ter sucesso nesse sentido. São inaceitáveis a larga proibição do uso de camisinha por cristãos católicos e protestantes e a crença de que é Deus que nos protege e de nada adianta o uso de cinto de segurança, capacete, protetor solar ou investimentos em segurança. Disseram-me “se o Senhor não proteger uma casa, em vão trabalham seus vigilantes”, como se a segurança pública e o combate às drogas não fosse coisa desse mundo, mas da vontade de um deus. Acreditar em bênçãos condicionais, horóscopo, rituais, trabalhos ou outras peripécias para adquirir a cura de uma doença, o sucesso em uma empreitada ou descobrir a verdade sobre os fatos é intolerável.

A intolerância daí nascente leva a crer que, como humanista, não devo me calar diante das aberrações professadas por frentes religiosas irracionais que atribuem ao sobrenatural, fatos que podem ser resolvidos no campo da racionalidade. Não devo me calar, porque religiosidade isenta o indivíduo de sua liberdade e deteriora sua qualidade de vida. Todos devem ter direito a expressar sua fé, mas têm também o direito de saber que a crença religiosa não se baseia no pensamento lógico, mas na fé cega, baseado em tradições, em autoridades constituídas ou em sacralidades convencionadas. Têm o direito, acima de tudo, de saber que nenhuma sociedade conseguiu na história aumentar sua qualidade de vida graças a qualquer religião, mas sim a iniciativas diretas, como investimento em educação, pesquisa científica, saneamento básico, campanhas de vacinação, etc. Assim sendo, respeitar o direito a crença não me impede de demonstrar como uma crença religiosa aprisiona os indivíduos.

Como defensor da educação como forma de mudança, acredito que o que livra os indivíduos da opressão, da dor e da miséria, nas mais diferentes formas, é um modelo educacional eficiente, o desenvolvimento científico e um sistema de governo com iniciativas em defesa da dignidade da pessoa humana, que defenda a verdadeira liberdade e a igualdade entre os indivíduos.

Pense nisso. Pense!