Sendo humanista, tenho me preocupado em buscar a qualidade de vida das pessoas. Acredito que devamos procurar nos ajudar mutuamente a ponto de não haver mais ser humano que sofra. Em nome disso defendo a liberdade, a igualdade e a solidariedade com a pessoa humana.
O célebre Artigo 5º da Constituição Federal garante a liberdade de crença, entre muitos outros direitos ligados à liberdade e igualdade. Ainda que não fosse por força de lei, sou defensor que todos são livres e iguais e podem fazer da sua individualidade o que bem entenderem, desde que o façam em consonância com a Lei. Sou defensor da liberdade e igualdade por uma premissa lógica. Não é por força de lei ou por mandamento divino. É por acreditar que não há lógica nenhuma em diferenciar os seres humanos. É justo. Todos são livres e com iguais direitos. Sou defensor, portanto da liberdade de crença, de fé, de manifestações religiosas.
Mas até que ponto isso leva a um mínimo de qualidade de vida? Em discussão com outros céticos, tenho afirmado que a religiosidade não é um mal necessário. É desnecessário. A religião aprisiona as pessoas a um modelo alienado e inquestionável, privando-os do raciocínio lógico. Ora, desde o séc. XVIII, os princípios apregoados pelos iluministas evidenciam que a razão busca a verdade e a resolução das questões. Nenhuma metodologia que não se utilizar da razão pode ter sucesso nesse sentido. São inaceitáveis a larga proibição do uso de camisinha por cristãos católicos e protestantes e a crença de que é Deus que nos protege e de nada adianta o uso de cinto de segurança, capacete, protetor solar ou investimentos em segurança. Disseram-me “se o Senhor não proteger uma casa, em vão trabalham seus vigilantes”, como se a segurança pública e o combate às drogas não fosse coisa desse mundo, mas da vontade de um deus. Acreditar em bênçãos condicionais, horóscopo, rituais, trabalhos ou outras peripécias para adquirir a cura de uma doença, o sucesso em uma empreitada ou descobrir a verdade sobre os fatos é intolerável.
A intolerância daí nascente leva a crer que, como humanista, não devo me calar diante das aberrações professadas por frentes religiosas irracionais que atribuem ao sobrenatural, fatos que podem ser resolvidos no campo da racionalidade. Não devo me calar, porque religiosidade isenta o indivíduo de sua liberdade e deteriora sua qualidade de vida. Todos devem ter direito a expressar sua fé, mas têm também o direito de saber que a crença religiosa não se baseia no pensamento lógico, mas na fé cega, baseado em tradições, em autoridades constituídas ou em sacralidades convencionadas. Têm o direito, acima de tudo, de saber que nenhuma sociedade conseguiu na história aumentar sua qualidade de vida graças a qualquer religião, mas sim a iniciativas diretas, como investimento em educação, pesquisa científica, saneamento básico, campanhas de vacinação, etc. Assim sendo, respeitar o direito a crença não me impede de demonstrar como uma crença religiosa aprisiona os indivíduos.
Como defensor da educação como forma de mudança, acredito que o que livra os indivíduos da opressão, da dor e da miséria, nas mais diferentes formas, é um modelo educacional eficiente, o desenvolvimento científico e um sistema de governo com iniciativas em defesa da dignidade da pessoa humana, que defenda a verdadeira liberdade e a igualdade entre os indivíduos.
Pense nisso. Pense!
Pense nisso. Pense!
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