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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A sociedade e os ranços de homofobia.


A famigerada sociedade judaico-cristã ocidental está aos poucos abrindo seus olhos e cursando novos rumos em direção a uma sociedade mais liberal. Vemos isso na legislação e na jurisprudência, que evolui no sentido de reconhecer amplos e irrestritos direitos individuais. O Estado precisa assumir tal postura, abrangendo a sociedade e seus interesses, garantindo direitos individuais e assegurando a legitimidade de sua existência. 

É inegável que isso surgirá de uma postura secular do Estado, que precisa se afastar das organizações religiosas para legitimamente representar toda a sociedade e não somente um influente e organizado grupo conservador. Reconheço que o caminho é longo e temos muito a conquistar, mas os recentes avanços devem ser reconhecidos como vitória. O reconhecimento da união estável homo afetiva é um salto alcançado pelo Brasil e que deve servir de exemplo pelas demais nações.

Mas como estamos vendo a situação da homofobia em nossa sociedade? Alguns hipócritas pseudoliberais dizem lidar naturalmente com a homossexualidade. Mas na maioria das vezes, trata-se de uma tolerância condicional. Para que seja tolerável, o homossexual não pode estar dentro de nossas famílias, não pode adotar um menor, não pode ser professor das primeiras séries, não pode manifestar carinho ao parceiro em público, além de outras condicionantes dotadas de um viés altamente preconceituoso.

Evidência do fato é o reboliço causado pela possibilidade da implantação da cartilha anti-homofóbica. Sem entrar no mérito da qualidade didática do material, a população hipócrita, mesmo sem conhecer seu material, já o repudiava.

Assim também, lidam com crianças e adolescentes que apresentam trejeitos que julgamos preconceituosamente como sendo homossexuais e imediatamente procura-se reverter o fato com conversas, tratamentos psicológicos ou coerção. Não consegue enxergar que a homossexualidade é perfeitamente natural e não se trata de perversão ou desvio de conduta. 

Quando na puberdade é despertada a afetividade e sexualidade, é preciso despertar primeiro uma orientação heterossexual para depois se tornar homossexual? Homossexualidade não é escolha, é condição do indivíduo. E o que a nossa sociedade hipócrita precisa se dar conta, é que o indivíduo se desperta antes da vida adulta, logo, a homossexualidade é despertada antes da vida adulta.

Pense nisso. Pense!

2 comentários:

Alexandre Miranda disse...

Você analisou com muita propriedade a homossexualidade a partir da afetividade e sexualidade despertada antes da vida adulta, aquela que desponta na criança e a sociedade a rotula com um esteriótipo de comportamento indesejável. O primeiro pensamento é qual o comportamento indesejável e o segundo pensamento é para quem ele é indesejável? Existem outros vieses para análise, como a homossexualidade como opção cultural, temos o exemplo no cerne de nossa sociedade greco-romana, ou como simples opção sexual, ao que muitos cidadãos, que engrossam a fila dos hipócritas e críticos pertencem. Realmente a sociedade precisa pensar em si mesma e seu comportamento diante do outro.

Abner de Paula disse...

Obrigado pela contribuição, Alexandre. É muito bem vindo!